Para os produtores da cultura, da arte e do pensamento reflexivo não há mais motivo para servir de legitimação a um capitalismo autoritário, que remunera mal, e sair à busca de elogios no deserto pós-moderno do mercado. Se possuem algum vestígio de amor-próprio, eles acabarão por encerrar-se em si mesmos e, pelo menos em seu íntimo, confessar sua animosidade irreconciliável em relação aos críticos do mercado. Essa postura não deve ser passiva, mas ativa. Os produtores culturais talvez devessem associar-se em grupos, sindicatos, guildas, clubes e ligas anti-mercado, preocupados não em vender, mas salvar os recursos culturais da barbárie do mercado. Tal postura será diversa do conservadorismo cultural - sempre acorde com o poder -, sobretudo pelo fato de ligar-se aos humilhados e ofendidos e dar expressão cultural aos sofrimentos sociais, ao invés de harmonizar-se com o jovial positivismo dos oportunistas pós-modernos.
R. Kurz